LASICS - Gestão de Eventos Científicos, XIV Colóquio Ibérico de Geografia

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GEOCACHING NO BAIRRO: O BAIRRO COMO COMO ESPAÇO DE LAZER E PROMOÇÃO DO PATRIMÓNIO
Filipa Ramalhete, Ricardo Nogueira Mendes, Teresa Santos, Luís Marques

Última alteração: 2014-09-06

Resumo


A cidade de Lisboa é constituída por realidades urbanas diferenciadas e diferenciadoras. Tratando-se de um espaço urbano que forma uma cidade, é - necessariamente - complexo e heterogéneo, em termos urbanísticos, sociais e culturais. O conceito de Bairro é uma das referências constantes, enquanto realidade histórica (França, 1997; Silva, 1994), arquitetónica (Costa, 2002; Nunes, 2007) e social (Cordeiro, 1997; Costa, 2008; Gato, 2014; Mendes, Padilha, 2014), presente no discurso corrente e promocional, na literatura científica, nas várias estratégias e nas políticas de ordenamento (Câmara Municipal de Lisboa 1992, 2005 e 2009) e na promoção turística (Menezes, 2002 e 2014). A existência de uma realidade que se designa por “Bairro” implica a aceitação de que, no interior da mancha urbana heterogénea, surgem homogeneidades diferenciadoras, às quais estão subjacentes realidades urbanísticas, mas também representações espaciais das várias comunidades residentes, num contexto em que o Bairro não corresponde aos limites administrativos vigentes. O projeto Bairros em Lisboa investigou esta temática em seis casos de estudo da cidade, tendo como resultado o estabelecimento de limites consensuais para residentes e não-residentes, uma melhor compreensão do que “faz Bairro” no contexto urbano, o grau de satisfação dos seus habitantes e as atividades ali realizadas (Ramalhete, Neves, 2014: Marques, Machado, 2014). Sendo um dos objetivos deste projeto enriquecer a teoria existente e permitir novas leituras da realidade urbana, que poderão servir de base a futuras políticas de gestão, pretende-se, nesta comunicação, explorar os resultados obtidos, à luz de dados provenientes de outros projetos realizados e em curso, focando duas vertentes em particular. Os resultados do estudo salientam a importância dos Bairros como espaço de consumo e lazer de proximidade. Por outro, um aspeto fulcral para a construção da identidade e da delimitação de alguns Bairros é presença de elementos arquitetónicos e patrimoniais relevantes. Neste contexto, propõe-se, neste artigo analisar os resultados do projeto Bairros em Lisboa à luz dos dados recolhidos num trabalho de investigação que demonstra a existência de uma relação entre os espaços turísticos e recreativos da cidade e a atividade de Geocaching. Esta atividade agrega, numa plataforma Web 2.0 uma comunidade de mais de seis milhões de praticantes (a nível mundial), numa “moderna caça ao tesouro”, sendo assinalável o seu crescimento nos últimos cinco anos (Mendes, 2013a, 2013b). Na cidade de Lisboa encontram-se 3,8% do total nacional de caches. Todavia, estas correspondem a 8,5% da atividade total (logs) nacional, representando o valor mais expressivo em termos de concentração de Geocaching. A explicação para este facto reside na forte relação entre o Geocaching e a atividade turística, uma vez que as caches mais visitadas se encontram em Lisboa devido à participação de geocachers estrangeiros. O artigo analisa mais detalhadamente esta atividade no contexto dos casos de estudo do projeto Bairros em Lisboa. De forma a avaliar a relação entre Geocaching e o património existente nos bairros, também ele potencialmente relacionado com a atividade turística, esta análise é complementada com o cruzamento de dados provenientes de uma extração do Inventário do Património Arquitetónico (protegido e não protegido) de Lisboa (SIPA/IHRU, 2014). Esta abordagem tem, assim, dois objetivos: compreender até que ponto a imagem do bairro enquanto categoria socio-espacial urbana e o património nele existente são relevantes no contexto de práticas de lazer como o Geocaching; criar a base para futuros projetos de investigação multidisciplinares que contribuam para uma geografia urbana que contextualize escalas de atuação locais e globais.

Palavras-chave


Bairro, Geocaching, Lisboa, práticas de lazer, património