LASICS - Gestão de Eventos Científicos, XIV Colóquio Ibérico de Geografia

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A alteração do regime pluviométrico estacional em Portugal (1951/2010): evidências, causas e consequências
João Ferrão, José Eduardo Ventura, Álvaro Pimpão Silva

Última alteração: 2014-09-27

Resumo


Em Portugal, embora haja uma forte variação interanual da distribuição da precipitação ao longo do ano, há características que se repetem, como a oposição habitual entre uma estação seca e outra chuvosa, não obstante a forte variabilidade dos climas de características mediterrâneas. Dentro da estação chuvosa é possível encontrar diferentes tipos de evolução que marcam o estilo pluviométrico, imprimindo um ritmo próprio a cada região em resultado da combinação entre factores astronómicos e sinópticos, marcados por cambiantes regionais em função da sua combinação com os factores geográficos e que determina o regime pluviométrico.
O estudo deste ritmo, muitas vezes associado à escala temporal da estação, permite uma representação simplificada da realidade constituindo uma primeira aproximação que permite averiguar as alterações no regime pluviométrico a partir das normais climatológicas. Assim, de acordo com o método clássico de Musset, faz-se a divisão do ano em quatro classes trimestrais, (iniciadas de modo a conter no primeiro mês de cada estação um solstício ou um equinócio) que numa primeira fase permite averiguar qual o regime médio e respectivas alterações recentes. O regime é classificado de acordo com a posição por ordem decrescente da precipitação em cada estação do ano e representada numa sigla pela sua inicial. No nosso país, é comum que o regime da precipitação comesse com o I de Inverno e termine com o V de verão que correspondem, em geral, às estações do ano com maior e menor precipitação.
Partindo desta análise simplista da evolução do regime estacional das precipitações, averigua-se a variação espacial do regime e a sua alteração com base nos valores mensais da precipitação na série de 1951/2010, com a análise sistemática das normais de 1951-80 a 1980-2010, com sobreposição de 20 anos (1951/80, 1961/90; 1971/00 e 1981/10.
Para 1951/80, nos locais de medição considerados,os regimes médios encontrados foram IPOV e IOPV. A partir de 1961/80 todos passaram a ter um regime de tipo IOPV, o que indica que se generalizou, em Portugal continental, a ocorrência de um total pluviométrico médio no outono superior ao da primavera. Esta situação mantém-se até à normal de 1981/2010 mas com a introdução de um outro tipo de regime médio que surge nesta normal, o regime OIPV, que evidência já o outono como a estação do ano mais chuvosa.
Para uma melhor compreensão dos resultados, será feita uma representação espacial dos regimes nas estações e normais analisados, calculado um índice da concentração da precipitação (índice de Olivier) e a averiguação da variabilidade interanual do regime, identificando qual o mais frequente e os meses responsáveis pela alteração do regime médio. A análise sinóptica destes meses mostrará as alterações na circulação atmosférica responsáveis pela alteração do ritmo pluviométrico anual.

Palavras-chave


regime pluviométrico; concentração da precipitação; variabilidade interanual; tratamento estatístico; cartografia