LASICS - Gestão de Eventos Científicos, XIV Colóquio Ibérico de Geografia

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A Geografia da Sociedade da Informação em Portugal: Uma análise evolutiva de uma década de estatísticas.
Jorge Ricardo da Costa Ferreira

Última alteração: 2014-09-05

Resumo


As tecnologias de Informação sofreram, a par de outros sectores, um desinvestimento público, o que em termos práticos não se traduziu, de forma significativa (como seria de esperar) nos hábitos de utilização dessas mesmas tecnologias por parte Estado, empresas e cidadãos. Esta situação deveu-se, em parte, ao constante ritmo de evolução tecnológica que permitiu ganhos de eficiência, bem como uma redução dos custos associados à utilização dessas tecnologias. A Geografia da Sociedade da Informação (GSI) não é uma geografia da inovação (ligada ao conceito nas suas vertentes de produto, processo ou organizacional), também não é uma geografia da Internet (baseada numa estrutura meramente topológica), nem tão pouco uma geografia virtual (sustentada por teorias do ciberespaço, realidades paralelas ou universos fratais). Será por isso fundamental definir esta Geografia. Assim, a GSI debruça-se sobre o crescente uso das tecnologias de informação e comunicação, analisando a disseminação da informação sobre os territórios, identificando as variáveis que para ela contribuem e de que forma pode esta disseminação criar riqueza e consequentemente, gerar desenvolvimento. Em 1999, o Observatório da Ciência e Tecnologia (OCT) iniciou uma coleta nacional de dados estatísticos para analisar e avaliar o contexto evolutivo da Sociedade da Informação em Portugal. A partir daí foi possível referenciar as principais etapas de uma evolução tecnológica através de um consistente conjunto de indicadores, integrados no sistema estatístico nacional. Este trabalho foi um avanço significativo para Portugal, pois permitiu a concentração dedados num único organismo dentro do governo, mostrando-se um instrumento estatístico fundamental para comparações internacionais com o Eurostat, bem como com os dados da OCDE. No entanto e analisando com algum detalhe a informação disponível, encontram-se também dispersas por vários organismos e entidades, estatísticas de inquestionável pertinência que se complementam e permitem uma análise evolutiva (mais completa) de Portugal no que respeita às tecnologias de informação e sociedade da informação: (i) Os Inquéritos à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias, os Inquéritos aos Orçamentos Familiares, os Indicadores de Conforto e os Inquéritos às Despesas das Famílias, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística; (ii) As estatísticas do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) do Ministério da Ciência,Tecnologia e Ensino Superior; (iii) os Recenseamentos Escolares Anuais do Gabinetede Informação e Avaliação do Sistema Educativo; e (iv) os Relatórios Estatísticos Trimestrais da ANACON. Estas estatísticas permitem uma assinalável complementaridade, embora para os últimos 10 anos nem sempre seja possível, face a algumas lacunas na continuidade das mesmas bem como algumas alterações nos seus critérios, uma análise comparativa perfeitamente linear. A elaboração destas estatísticas permitiu, no virar do séc. XXI, uma análise muito mais completa de um conjunto de variáveis informacionais que, até aqui, era impossível de aferir. Variáveis que, pelas suas características diferem dos indicadores estatísticos mais tradicionais, mas que permitem, a par destes, uma caracterização mais completa das sociedades modernas, dos territórios, dos seus potenciais de desenvolvimento, das suas necessidades e limitações.É neste contexto que surge esta comunicação, que tem como objectivos: 1. Observar quais foram as grandes mudanças no contexto da Sociedade da Informação em Portugal; (2) Perceber como se traduziram essas mudanças na trajectória evolutiva da relação entre o Estado, a empresa e o cidadão e astecnologias; (3) Analisar de que forma, a crise económico-financeira em Portugal afectou a utilização das tecnologias de informação; (4) Analisar, sempre que a desagregação de dados o permita, de que forma se disseminou essa tecnologia pelo território continental.

Palavras-chave


Geografia da Sociedade da Informação, Disseminação, Difusão, Informação, Geografia.