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	<title>Fluxo Morte Media &#187; sensibilização</title>
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		<title>Mais Vida</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2017 23:31:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Albertino Gonçalves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Morte]]></category>
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		<category><![CDATA[Doação de órgãos]]></category>
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		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilização]]></category>
		<category><![CDATA[vida vs morte]]></category>

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		<description><![CDATA[Morremos para viver? A tradução adequada do espanhol “nos morimos por vivir” talvez seja “estamos mortos por viver”. “Nos morimos por vivir” é um anúncio de sensibilização da Coca-Cola Journey España para a marca Aquarius. Incide sobre a doação de órgãos em Espanha, “o primeiro país do mundo em doação de órgãos”. Aposta na vitalidade [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_339" style="width: 780px;" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.lasics.uminho.pt/fluxo_morte_media/wp-content/uploads/2017/02/Nos-morimos-por-vivir.jpg"><img class="size-full wp-image-339" src="http://www.lasics.uminho.pt/fluxo_morte_media/wp-content/uploads/2017/02/Nos-morimos-por-vivir.jpg" alt="Nos morimos por vivir." width="780" height="439" /></a><figcaption class="wp-caption-text">Nos morimos por vivir.</figcaption></figure>
<p>Morremos para viver? A tradução adequada do espanhol “nos morimos por vivir” talvez seja “estamos mortos por viver”. “Nos morimos por vivir” é um anúncio de sensibilização da Coca-Cola Journey España para a marca Aquarius. Incide sobre a doação de órgãos em Espanha, “o primeiro país do mundo em doação de órgãos”. Aposta na vitalidade e na jovialidade coroadas por um gesto que renova a vida: a doação de órgãos, a passagem da chama. Este anúncio, na linha de outros congéneres, suscita uma questão inconveniente mas difícil de contornar: por que motivo a qualidade e a criatividade das campanhas de sensibilização governamentais e de organizações não governamentais (ONG) tendem a ficar aquém das campanhas de sensibilização lançadas por entidades privadas? Por que é que umas conseguem fazer dois em um (sensibilizar e cativar para a marca) quando outras nem um conseguem alcançar (sensibilizar)?</p>
<p><iframe src="https://player.vimeo.com/video/199678998" width="474" height="267" frameborder="0" title="Aquarius Nos morimos por vivir" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></p>
<p>Marca: Aquarius. Título: Nos morimos por vivir. Agência: McCann. Espanha, Janeiro de 2017.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Anjos dissolventes</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2016 18:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Albertino Gonçalves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Publicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Texto]]></category>
		<category><![CDATA[corpos sem pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[morte adiável]]></category>
		<category><![CDATA[Poder disciplinar]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilização]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Todos morreram juntos, novos e velhos, fracos e fortes, doentes e sadios; não como pessoas, não como homens e mulheres, crianças e adultos, meninos e meninas, bons e maus, bonitos e feios – mas reduzidos ao mínimo denominador comum da simples vida biológica, mergulhados no mais negro e fundo abismo da igualdade primal, como gado, [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<figure id="attachment_257" style="width: 576px;" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.lasics.uminho.pt/fluxo_morte_media/wp-content/uploads/2016/02/Truth-National-Connect-Replacement-Smokers.jpeg"><img class="wp-image-257 size-full" src="http://www.lasics.uminho.pt/fluxo_morte_media/wp-content/uploads/2016/02/Truth-National-Connect-Replacement-Smokers.jpeg" alt="Truth (National) - Connect -Replacement Smokers" width="576" height="432" /></a><figcaption class="wp-caption-text">Truth (National) &#8211; Connect -Replacement Smokers.</figcaption></figure>
<p>&#8220;Todos morreram juntos, novos e velhos, fracos e fortes, doentes e sadios; não como pessoas, não como homens e mulheres, crianças e adultos, meninos e meninas, bons e maus, bonitos e feios – mas reduzidos ao mínimo denominador comum da simples vida biológica, mergulhados no mais negro e fundo abismo da igualdade primal, como gado, como matéria, como coisas sem corpo nem alma, nem mesmo uma fisionomia em que a morte pudesse imprimir seu selo &#8220;<em>(Arendt, Hannah, Compreender: formação, exílio e totalitarismo. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, p. 227).</em></p></blockquote>
<p>Somos dados a reacções desproporcionadas. Um quase nada pode turbar-nos o horizonte. Livrai-nos dos arcanjos e dos anjos da guarda, que tão empenhados andam em nos salvar. Na publicidade, as figuras do arcanjo e do anjo da guarda estão no vento: fundações e institutos públicos zelam por nós, estes crónicos e imprudentes pré-cadáveres.</p>
<p>No Apocalipse do terceiro milénio, à Peste, à Guerra, à Fome e à Morte, acrescentam-se a soda, o álcool, o tabaco, o sexo e a obesidade. Multiplicam-se os estudos, os planos, as campanhas e as intervenções. Para nos salvar de nós próprios (expressão historicamente funesta ): diabéticos, fumadores, alcoólicos e outras categorias propensas à morte adiável. Uma morte mediaticamente anunciada. Os resultados permanecem, no entanto,  escassos e frouxos. Mas não é por falta de recursos ou de argumentos públicos. Segue uma pequena amostra de alguns procedimentos característicos:<br />
– litanias exemplares;<br />
– imagens chocantes;<br />
– o desrespeito da privacidade e da intimidade;<br />
– a discriminação, a estigmatização e a culpabilização;<br />
– &#8220;galerias de monstros&#8221;;<br />
&#8211; a ostentação da miséria;<br />
&#8211; a pedagogia do tétrico;<br />
&#8211; a arbitrariedade transfigurada em chamamento e missão;<br />
– a banalização  da censura;<br />
– a excepção por decreto;<br />
– profecias fundamentadas (&#8220;uma morte lenta e dolorosa&#8221;);<br />
– legitimação pela ciência e pela técnica;<br />
– prenúncio da morte e cenários dantescos.<br />
Em suma, a arte da lixívia na limpeza da vida, com os corpos dispostos em gráficos e tabelas. Estas tendências assépticas e disciplinares indiciam que as democracias não são imunes a delírios totalitários nem à suspensão cirúrgica da cidadania.</p>
<p><iframe width="474" height="267" src="https://www.youtube.com/embed/3F1U95v0JPs?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Anunciante: Center for Science in The Public Interest TV. Título: <em>Change de Tune</em>. Agência: Lumenati. USA, Junho 2015.</p>
<p>A fazer fé no anúncio <em>Change the Tune</em>, do CSPI TV (Center for Science in the Public Interest TV), no que respeita às bebidas com soda, chegou a hora de &#8220;mudar o disco&#8221;. Este anúncio, de 2015, assemelha-se ao anúncio <em>Unsweetened Truth</em>, da American Legacy Foundation / Truth, de 2011. Ambos os anúncios são bem concebidos e convocam testemunhos presenciais de vítimas, demarcando-se de anúncios de sensibilização que optam pela alegoria ou pela animação (por exemplo, as campanhas de prevenção da sida). A encenação das vítimas (desfile com coro) corre o risco de transformar pessoas reais em bonecos imaginados. Georg Simmel e György Lukacs chamam <em>reificação</em> a este fenómeno. Numa sociedade de espectáculo global, também se pode chamar, com alguma irreverência, <em>muppetsation. </em>Os &#8220;corpos sem alma&#8221;, mais do que noções de Hannah Arendt, Michel Foucault ou Giorgio Agamben, são realidades consubstanciadas em práticas massivas.</p>
<p><iframe width="474" height="267" src="https://www.youtube.com/embed/x7_B-9OyZls?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Anunciante: America Legacy Foundation/Truth. Título: <em>Unsweetened Truth</em>, Agência: Arnold, Boston. Direcção: Baker Smith. USA, Março 2011.</p>
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