Opiniões#15

1) Que vantagens vê numa formação académica em Jornalismo/Comunicação para o exercício da profissão de jornalista?

As universidades são um espaço de aprendizagem, de formação e de adopção de uma série de ferramentas necessárias ao desempenho de funções profissionais. No jornalismo como em qualquer outra profissão esta mesma formação é indispensável e, absolutamente, necessária ao ingresso na carreira. A formação académica de jornalismo é hoje, mais do que nunca uma formação em mutação, assim como a própria profissão. Um curso de jornalismo é uma escola, não apenas uma formação de cariz universitário e de conhecimentos avulsos em ciências sociais e humanas. Nos cursos de jornalismo há uma preocupação constante com o ensino de técnicas jornalísticas básicas para o exercício da profissão. Mas além disto pretende-se discutir, debater e pensar o jornalismo, e isto é absolutamente necessário ao exercício de uma profissão tão complexa e determinante numa sociedade democrática. Num curso inteiramente dedicado à área de jornalismo e comunicação, os alunos têm a possibilidade de desenvolver esta capacidade, num contexto onde se motiva a partilha, troca e debate de ideias sobre o jornalismo em si. Isso é certo.

2) Que resposta deve a formação académica dar aos efeitos da associação do mercado e das novas tecnologias ao jornalismo?

Assumi-la, absorvê-la e transformá-la em capacidade para formar gente capaz de reagir, trabalhar e pensar nesse contexto. As mutações empresariais e tecnológicas têm efeitos determinantes na forma como se exerce hoje qualquer profissão. No campo da comunicação e do jornalismo há uma necessidade constante de atualizar os contextos de ensino aproximando o mundo académico do mundo profissional. Nesse sentido são os professores que têm obrigatoriamente de absorver os novos contextos, fazer as transformações necessárias e criar um ambiente que permita uma formação adaptada aos novos conceitos, no sentido de formar adequadamente aqueles que vão ser os mais recentes profissionais do mercado.

3) Defende uma formação sobretudo técnica (estudo e prática da técnica profissional) ou alicerçada numa componente mais reflexiva (estudo do jornalismo integrado no universo mais vasto da comunicação)? Porquê?

Um jornalista valoriza eventos, cria representações do mundo, propõe hierarquias, e age no contexto cívico e social. No contexto do estudo e prática da técnica jornalística, no sentido de dotar os estudantes das ferramentas necessárias ao exercício da sua profissão, é importante praticar isto mesmo, em laboratórios criados para esse fim. É determinante promover esta formação, e dotar os estudantes destas capacidades absolutamente necessárias ao quotidiano da profissão. Nos laboratórios experimenta-se, cria-se e propõem-se novas formas de informar. É imprescindível que os futuros jornalistas conheçam profundamente as técnicas para exercer jornalismo. Mas não menos importante é o conhecimento do mundo com o qual vão lidar. Os estudantes devem conhecer o campo em que trabalham. Precisam de conhecer a área das ciências sociais, e das disciplinas que a compõem. Não se pretende formar máquinas de fazer notícias, mas profissionais que sejam conhecedores da realidade contemporânea em que se inserem. Que não reajam só ao evento, mas conheçam o evento, e o saibam enquadrar na realidade que noticiam. Mais do que qualquer profissão o jornalista é um agente ativo na formação da opinião pública, e da cidadania. Nesse sentido, que sentido faria formar apenas para “dar notícias”.

O ato de exercer jornalismo exige um empenho que vai além da técnica. O jornalista lida com a vasta área social em que se insere, e a capacidade de análise é necessária e apenas possível num contexto de formação ampla e que inclua as ciências sociais e da comunicação de forma complexa.

4) Que ligação deve existir entre a academia (cursos de jornalismo) e a profissão, durante o período letivo e na fase de estágio?

A academia e os cursos de jornalismo pretendem formar gente capaz de atuar no contexto da realidade profissional. Os laboratórios, e oficinas de trabalho são por isso determinantes para a adopção e desenvolvimento de técnicas e aproximação ao mundo profissional para o qual estão a ser preparados. A teoria faz sentido quando aplicada no contexto real. É preciso experimentar, propor e experimentar. Na academia a irreverência, originalidade e novidade podem ter um espaço interessante na formação. Os laboratórios, ou oficinas, são por isso um espaço de exercício prático para aquele que vai ser o primeiro momento de contacto com a profissão propriamente dita. Mas, paralelamente, a proximidade entre formador e formando é essencial à superação de dificuldades, e reação ao novo contexto. Se o formador deve ser conhecedor do ambiente no qual o estudante vai estar, também deve ser o “treinador” que segue os “saltos” dados no contexto profissional. O professor tem de ser um elo entre as instituições no sentido de promover uma integração gradual no novo ambiente e compreensão dos contextos que ali se encontram.

Sónia Lamy | IPPortalegre

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